Aos 80 anos, Olímpia Gomes de Santana Nunes realiza o sonho de estudar Turismo na Universidade de Brasília (UnB), mas não o faz sozinha. Acompanhada do marido José Pereira Nunes, de 73 anos, que convive com Alzheimer, ela concilia as aulas com os cuidados diários ao companheiro. Após solicitar autorização à coordenação do curso, José a acompanha discretamente, sentado perto da janela, participando indiretamente da rotina acadêmica. O casal, casado há 47 anos e residente em Brasília desde 1975, exemplifica a busca por equilíbrio entre liberdade e segurança, conforme defendem especialistas em gerontologia.
O vestibular 60+ da UnB aprovou 149 candidatos neste ano, com Turismo sendo um dos cursos mais procurados, ao lado de Terapia Ocupacional, Saúde Coletiva, Ciências Sociais, História, Psicologia e Nutrição. Olímpia, natural de Malacachê, Minas Gerais, relata que os primeiros sinais da doença de José surgiram em 2019, com esquecimentos e desorientações. A gerontóloga Cláudia Alves, autora do livro “O Bom do Alzheimer”, explica que permitir a participação do paciente em atividades cotidianas, sob supervisão, preserva funções cognitivas e autoestima, recomendando medidas como crachás de identificação e rotinas previsíveis.
A presença de José nas aulas se integrou à turma, com alunos o acolhendo afetuosamente, o que reforça a importância do suporte emocional para cuidadores e pacientes. Segundo Cláudia, intervenções precoces na faixa etária dos 70 anos podem retardar a progressão da doença, que afeta raciocínio, linguagem e humor. Essa história destaca como adaptações simples promovem inclusão, transformando desafios em lições de resiliência e companheirismo.