Carlos Sandroni, nascido em 25 de novembro de 1958 e falecido em 28 de outubro de 2025, aos 66 anos, foi uma figura multifacetada no cenário cultural brasileiro. Formado em sociologia, mestre em ciência política e doutor em musicologia, ele se destacou como musicista, professor, escritor, compositor e especialista em etnomusicologia. Sua morte, ocorrida na última terça-feira devido a um câncer, representa uma perda significativa para o universo da música popular brasileira (MPB), onde era reverenciado como um poeta da canção e da cidade do Rio de Janeiro.
Entre suas contribuições notáveis, Sandroni compôs “Pão doce”, gravada pela irmã Clara Sandroni no disco coletivo Circo Voador Brasil em 1985 e reinterpretada por Adriana Calcanhotto no álbum Enguiço de 1990. Ele também traduziu com sensibilidade a canção “Biromes y servilletas”, do uruguaio Leo Masliah, transformando-a em “Guardanapos de papel”, lançada por Clara em 1989 e regravada por Milton Nascimento no álbum Nascimento de 1997. Suas parcerias incluíram nomes como Mario Adnet, com “Quase” em 1997, Kleiton Ramil em “Sambo” de 1991 e Lu Medeiros em “Secretária eletrônica” de 1987.
Cantoras como Adriana Calcanhotto, Olivia Byington e especialmente Clara Sandroni deram voz às suas composições, com Clara lançando-o como compositor em “Filabóia” de 1984. Embora sua trajetória acadêmica em ciência política o conectasse a debates intelectuais mais amplos, foi na MPB que Sandroni deixou um legado poético, cada vez mais visto como parte de um passado cultural do Brasil.