quinta-feira , 23 abril 2026
Segurança e Justiça

Escândalo em Ribeirão Preto expõe falhas na proteção estatal a idosos vulneráveis

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Três casas de repouso clandestinas em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram fechadas após revelarem condições precárias para cerca de 50 idosos. Gerenciadas por Eva Maria de Lima, de 40 anos, as instalações nos bairros Marincek, Alto da Boa Vista e Centro operavam sem conforto ou segurança, desobedecendo liminares judiciais impostas desde junho. De acordo com o promotor de Justiça da Pessoa Idosa, Carlos Cezar Barbosa, os locais funcionavam como “depósitos de idosos”, explorando benefícios como o de prestação continuada e mensalidades de até R$ 2,5 mil pagas por famílias. Eva foi presa em 2 de outubro por suspeita de maus-tratos e abandono, após denúncias de vizinhos que levaram à interdição de um novo imóvel no Parque Ribeirão.

As investigações, iniciadas em abril pelo Ministério Público, Vigilância Sanitária, secretarias de Assistência Social e Saúde, e Polícia Civil, apontaram sinais de maus-tratos, incluindo falta de higiene, alimentação inadequada e idosos expostos a condições desumanas. Barbosa criticou a apropriação de recursos dos idosos, majoritariamente de baixa renda, e sugeriu que famílias complementavam pagamentos com benefícios públicos. Ele enfatizou que tais casos destacam a ausência do Estado em prover assistência adequada, deixando espaço para explorações criminosas. A defesa de Eva nega as acusações, alegando zelo e dedicação aos residentes, muitos abandonados por parentes.

O promotor alertou para a necessidade de maior presença familiar em lares de idosos, com visitas regulares para monitorar condições como limpeza, tratamento por funcionários e sinais de negligência, como feridas ou sedação excessiva. Nas casas de Eva, visitas exigiam aviso prévio, funcionários eram pagos por diária e monitorados por câmeras, com restrições ao uso de celulares. Barbosa defendeu que famílias devem ser investigadas por possível conivência, reforçando a urgência de políticas públicas mais eficazes para proteger idosos lúcidos e de baixa renda, evitando que sejam vítimas de negligência institucional e familiar.

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