Ceilândia, a região mais populosa do Distrito Federal com mais de 287 mil moradores, enfrenta um cenário de crescente insegurança no seu centro comercial. De acordo com dados da Polícia Civil do DF, entre janeiro e outubro de 2025, os crimes contra o patrimônio registraram aumentos significativos, como 51,2% em furtos em comércio (319 casos), 55% em furtos em coletivos (200 ocorrências) e 300% em danos a bens públicos (36 registros). Outros delitos, como furtos de celular (834 casos, alta de 9%) e roubos a transeuntes (795 ocorrências, aumento de 9,5%), também contribuem para transformar o local em um ambiente de medo constante para moradores e comerciantes.
O delegado-chefe da 15ª Delegacia de Polícia, Ataliba Neto, atribui o problema à presença de dependentes químicos em situação de rua, que exploram brechas na legislação e no sistema judicial. Ele critica a brandura das leis, que permite a liberação rápida de reincidentes após audiências de custódia, fomentando a impunidade. O especialista em segurança pública Renato Araújo complementa que vulnerabilidades socioeconômicas, como a dependência química e a alta densidade populacional, criam um ciclo vicioso de crimes de oportunidade, agravado por falhas na inteligência policial e na prevenção estratégica.
Para combater o quadro, ações integradas envolvem a Polícia Militar do DF, com patrulhamento intensificado pelos 8º e 10º Batalhões, e operações conjuntas com a Administração Regional de Ceilândia e a DF Legal. Desde novembro, cinco operações resultaram em apreensões de armas e mercadorias irregulares, visando coibir o comércio informal e a receptação. Araújo defende medidas como policiamento georreferenciado e repressão qualificada para romper o ciclo de reincidência e melhorar a eficiência na alocação de recursos.