A agência de classificação de risco Moody’s concluiu uma revisão periódica e manteve o rating soberano do Brasil em Ba1, com perspectiva estável, conforme anúncio nesta quarta-feira (26). A análise foi finalizada na última quinta-feira (20), posicionando o país um nível abaixo do grau de investimento. Em maio deste ano, a agência já havia preservado a nota, mas alterado a perspectiva de positiva para estável. No relatório, a Moody’s destacou a resiliência da economia brasileira frente às tensões comerciais impostas pelas tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente após seu recuo parcial, com impactos limitados sobre o país.
Apesar disso, a agência apontou desafios como a alta inflação, medida pelo IPCA em 4,68% nos 12 meses até outubro, e a taxa Selic em 15%, o maior nível em quase 20 anos. A Moody’s elogiou a economia diversificada e de baixa exposição a choques externos, mas criticou os altos pagamentos de juros, a rigidez nos gastos e o aumento da dívida. Reformas estruturais recentes fortaleceram investimentos e perspectivas de crescimento, embora a polarização política impeça avanços na reforma fiscal e na consolidação das contas públicas.
A agência sugeriu que um upgrade no rating poderia ocorrer com consenso entre policymakers e o Congresso para reformas profundas, como reduzir a vinculação de receitas, diminuir a indexação de benefícios sociais ao salário mínimo e ajustes na Previdência Social, criando espaço fiscal. Em outubro de 2024, a Moody’s elevou a nota de Ba2 para Ba1, aproximando o Brasil do grau de investimento, perdido entre 2015 e 2016 durante a crise econômica no governo de Dilma Rousseff. Historicamente, o país obteve o selo de bom pagador entre 2008 e 2015, sob os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma.