Douglas Alves da Silva, de 26 anos, acusado de tentativa de feminicídio após atropelar e arrastar Tainara Souza Santos por mais de 1 km até a Marginal Tietê, em São Paulo, afirmou em depoimento à Polícia Civil que o ato foi involuntário. Segundo ele, o incidente ocorreu enquanto tentava fugir de uma briga no Bar do Tubarão, no Parque Novo Mundo, na Zona Norte da capital, no último sábado (30). Douglas relatou que não conhecia a vítima, de 31 anos, e que só percebeu a presença dela presa sob o veículo quando motoristas buzinaram na via expressa. Ele foi preso no domingo (1º) em um hotel na Vila Prudente, na Zona Leste, após esconder o carro na garagem do ex-sogro no Itaim Paulista, seguindo orientação de um advogado.
Tainara, mãe de dois filhos, sofreu amputação das pernas devido às lesões e passou por uma terceira cirurgia nesta terça-feira (3) para enxerto no quadril, que foi considerada um sucesso pela família, embora ela permaneça sedada. O depoimento de Douglas contradiz relatos de testemunhas, que apontam ciúmes como motivação, alegando que ele acelerou intencionalmente contra a vítima após uma discussão no bar. A Polícia Civil investiga o caso como tentativa de feminicídio com extrema crueldade, em um contexto em que a cidade de São Paulo registra recorde de feminicídios em 2025, destacando a urgência de políticas públicas para combater a violência de gênero.
O amigo de Douglas, Kauan Silva Bezerra, foi ouvido como testemunha e negou qualquer participação no crime, comparecendo espontaneamente à delegacia. Douglas expressou arrependimento no interrogatório, mas tentou reagir à prisão, sendo baleado por um policial. A apuração continua para esclarecer as circunstâncias da fuga e do resgate da vítima, com base em imagens e depoimentos colhidos no local.