Mais um caso de feminicídio abala o Distrito Federal, com o assassinato da cabo Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, musicista da Fanfarra do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas. Encontrada carbonizada após um incêndio no quartel, a vítima apresentava um corte profundo no pescoço, e o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, confessou o crime, embora tenha apresentado versões contraditórias durante o interrogatório. A advogada da família, Leila Santiago, reforça que Maria era solteira, focada na carreira militar e rejeitava relacionamentos no ambiente de trabalho, sugerindo que o crime pode ter sido motivado pela incapacidade do agressor de aceitar sua autoridade hierárquica superior.
A investigação, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal e pelo Batalhão de Polícia do Exército, aponta que Kelvin atraiu Maria para uma sala isolada sob pretexto de um problema técnico, onde a atacou com um punhal e provocou o incêndio para destruir provas. Familiares e colegas relatam que o soldado se apresentava como “bom samaritano” e costumava se aproximar de mulheres recém-chegadas ao quartel. Preso em flagrante, ele foi autuado por feminicídio, furto de arma, incêndio e fraude processual, com a prisão convertida em preventiva. O Exército instaurou um Inquérito Policial Militar e anunciou a exclusão do soldado da corporação.
Especialistas como Ivonete Granjeiro, consultora legislativa da Câmara Legislativa do DF, destacam a importância da Lei nº 14.994/24, que qualifica o homicídio de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, com penas de 20 a 40 anos. O caso será julgado pelo Tribunal do Júri na Justiça Comum, conforme jurisprudência do STF. Ativistas defendem medidas como educação obrigatória sobre violência de gênero nas forças armadas, canais de denúncia independentes e políticas públicas integradas para fortalecer a rede de proteção às mulheres, visando combater o feminicídio de forma sistêmica.