quinta-feira , 23 abril 2026
Tecnologia e Inovação

A linguagem codificada que desafia os algoritmos das redes sociais

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Nas redes sociais, usuários têm adotado uma linguagem codificada conhecida como “algospeak” para contornar supostas restrições impostas por algoritmos, especialmente em temas políticos sensíveis. Essa prática surge da crença de que plataformas como TikTok, Instagram e YouTube suprimem conteúdos com certas palavras ou frases, visando agendas corporativas ou anunciantes. Embora as empresas neguem a existência de listas de palavras proibidas, exemplos como o de Alex Pearlman, criador de conteúdo com milhões de seguidores, ilustram o fenômeno: ele evitou mencionar “YouTube” em vídeos no TikTok para não prejudicar o alcance e usou o termo “Homem da Ilha” para se referir a Jeffrey Epstein, após remoções inexplicadas de posts sobre o financista.

Investigações revelam que as plataformas interferem no conteúdo, contradizendo promessas de neutralidade. No TikTok, vazamentos mostraram supressão de vídeos de usuários LGBTQIA+ ou críticos a governos, enquanto a Meta foi acusada de restringir posts sobre direitos palestinos após os ataques do Hamas em 2023. O YouTube enfrentou processos por desmonetizar conteúdos com termos como “gay” ou “trans”. Especialistas, como a professora Sarah T. Roberts da UCLA, argumentam que essa opacidade fomenta autocensura, moldando o discurso público e limitando o acesso a ideias políticas, em um contexto onde as redes são fontes primárias de informação.

Um caso emblemático ocorreu em agosto de 2025, quando manifestantes contra as ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) descreveram protestos como um “festival de música” fictício para evitar suposta censura, o que ironicamente aumentou a viralização dos vídeos. Embora não haja provas concretas de supressão nesse episódio, o fenômeno do “imaginário algorítmico” mostra como crenças sobre os sistemas influenciam comportamentos, potencialmente distorcendo debates políticos. Roberts destaca que, no fundo, as decisões das plataformas priorizam lucros via publicidade, equilibrando segurança e liberdade de expressão, mas questiona se essas redes são o melhor espaço para expressão cívica.

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