Mais de 2,2 milhões de imóveis em São Paulo ficaram sem energia elétrica após uma tempestade com ventos superiores a 90 km/h, que derrubou centenas de árvores sobre a rede elétrica gerenciada pela Enel, concessionária responsável pela capital e cidades da Grande São Paulo. Esse incidente reacendeu críticas antigas à empresa, que acumula R$ 374 milhões em multas aplicadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) desde 2020, devido à má prestação de serviços. Em resposta, uma reunião entre representantes do governo federal, estadual e municipal resultou em um acordo para iniciar o processo de extinção do contrato com a Enel, destacando prejuízos milionários e interrupções prolongadas no fornecimento.
No podcast O Assunto, do g1, o repórter Léo Arcoverde detalhou o contexto, relembrando o apagão de novembro de 2023, quando milhões de pessoas ficaram sem luz por até uma semana em alguns bairros. Ele explicou as diferenças entre processos de intervenção e caducidade, além das alegações da Enel para justificar os apagões. A convidada Joísa Dutra, professora da FGV e ex-diretora da Aneel, esclareceu como funcionam os mecanismos de encerramento de concessões, abordando possíveis desdobramentos para a empresa e as garantias aos consumidores em caso de rompimento.
Bairros da capital paulista ainda enfrentam falta de energia pelo terceiro dia consecutivo, como na Vila Mariana, onde equipes da Enel trabalham para restabelecer o serviço. A perspectiva de fim da concessão levanta questões sobre a regulação do setor energético e a responsabilidade de concessionárias em cenários de eventos climáticos extremos.