A Prefeitura de Ribeirão Preto, sob a gestão do prefeito Ricardo Silva (PSD), eleito em 2024, projeta um orçamento de R$ 5,4 bilhões para 2026, representando um aumento de 5,6% em relação a 2025. Essa é a primeira proposta orçamentária integralmente elaborada pela atual administração, que prioriza o enxugamento de dívidas de longo prazo herdadas de gestões anteriores, especialmente aquelas ligadas a investimentos em mobilidade urbana via projetos como o Ribeirão Mobilidade, financiados pelo PAC 2. Pela primeira vez desde 2022, a dívida fundada deve recuar 21%, alcançando R$ 1,3 bilhão, enquanto o superávit fiscal primário salta para R$ 70 milhões, 25% acima do ano anterior.
Apesar da ênfase na redução de endividamento, o orçamento mantém investimentos em serviços essenciais, com a saúde recebendo a maior fatia de recursos: R$ 1,08 bilhão, o que equivale a 26,2% da arrecadação direta e supera o mínimo constitucional de 15%. A administração promete expandir serviços e adquirir equipamentos nessa área, além de priorizar educação e assistência social. As despesas correntes, incluindo custos com pessoal e encargos, devem subir 19%, totalizando R$ 4,9 bilhões, mas permanecem dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, com a folha de pagamento correspondendo a 48% do orçamento.
Márcio Minoru, do Observatório Social de Ribeirão Preto, analisa que a postura conservadora da gestão evita novos financiamentos, mas alerta para o risco de redução na capacidade de investimentos urbanos. Ele enfatiza a necessidade de equilíbrio entre saneamento fiscal e projetos relevantes, com participação popular e empresarial. A projeção de receitas é impulsionada por tributos como ISSQN, ITBI e IPTU, e o orçamento inclui uma reserva de contingência ampliada para R$ 10 milhões, visando disciplina fiscal e cumprimento de metas.