quinta-feira , 23 abril 2026
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CAS aprova isenção de taxas para mulheres vulneráveis em concursos, mas demora expõe descaso no Congresso

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Foto: Ângelo Pignaton/Agência CLDF
Foto: Ângelo Pignaton/Agência CLDF

Em uma decisão que destaca as persistentes desigualdades sociais no Brasil, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou na terça-feira, 08/04/2026, o Projeto de Lei nº 1.032/2019, que isenta mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica, além de vítimas de violência doméstica e familiar, do pagamento de taxas de inscrição em concursos públicos. No entanto, essa medida chega tardiamente, após anos de tramitação desde 2019, revelando a lentidão do sistema legislativo em lidar com problemas crônicos que afetam milhares de mulheres. O autor do projeto, deputado Martins Machado (Republicanos), enfatiza as barreiras financeiras que impedem o acesso ao serviço público, mas críticos apontam que isso é apenas um paliativo diante de falhas estruturais mais profundas.

A tramitação lenta e os envolvidos

O projeto recebeu parecer favorável do relator Ricardo Vale (PT) e foi aprovado em reunião da CAS, seguindo agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Participaram da aprovação deputados como João Cardoso (Avante), Max Maciel (PSOL), Rogério Morro da Cruz (sem partido) e Pepa (PP), mas a demora na análise expõe ineficiências no Congresso, onde propostas de empoderamento feminino frequentemente ficam engavetadas. Essa aprovação, embora um avanço, sublinha como mulheres vulneráveis continuam marginalizadas, enfrentando obstáculos que perpetuam ciclos de pobreza e violência.

A lentidão reflete um descaso maior com questões de gênero, especialmente em um país onde a violência doméstica atinge níveis alarmantes, deixando vítimas sem suporte adequado para reconstruir suas vidas.

Desafios persistentes para mulheres vulneráveis

O objetivo do Projeto de Lei nº 1.032/2019 é promover a igualdade de oportunidades e o empoderamento de mulheres em situação de vulnerabilidade, que lutam com dificuldades financeiras para pagar taxas de inscrição em concursos públicos. Contudo, essa isenção não resolve problemas mais amplos, como a falta de políticas integradas para combater a violência doméstica e a desigualdade econômica, que continuam a aprisionar essas mulheres em cenários de desvantagem. Em vez de celebrar, a aprovação serve como lembrete sombrio de que o Brasil ainda falha em proteger suas cidadãs mais fragilizadas.

Muitas mulheres, especialmente as vítimas de violência doméstica, enfrentam dificuldades financeiras para arcar com as taxas de inscrição em concursos públicos, o que as impede de concorrer a vagas no serviço público.

Essa declaração de Martins Machado ilustra a gravidade da situação, mas destaca também a insuficiência de medidas isoladas, que não atacam as raízes da desigualdade social e de gênero no país.

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