
Com mais de quatro meses de vacinação contra a covid-19 e três imunizantes diferentes disponíveis para o público, a campanha do Distrito Federal enfrenta outro desafio além da pandemia. Uma onda considerável de pessoas, segundo servidores da Secretaria de Saúde (SES-DF), tem adiado o próprio atendimento porque quer escolher a marca da vacina que tomará. Para especialistas, esse comportamento pode atrasar o processo de proteção da população contra o novo coronavírus e, consequentemente, o fim da crise sanitária.
Para evitar esse tipo de comportamento e conscientizar a população, a pasta tem publicado notas técnicas que comprovam a segurança das vacinas e que reforçam a importância de a imunização ocorrer o mais rápido possível. Além dessa, houve medidas mais drásticas. A última prevê que quem agendar o atendimento, mas, por algum motivo, não comparecer na data marcada terá até cinco dias corridos para voltar ao posto e receber a dose. Caso contrário, perderá a vaga.
O Executivo local também lançou a campanha “Não importa a marca, o importante é vacinar”. O objetivo é avançar na ampliação da campanha. Porém, apesar da expectativa, a SES-DF não definiu um calendário de vacinação para a população em geral. A justificativa é a dependência do repasse de doses por parte do Ministério da Saúde — nesse processo, não há informação antecipada ou com detalhes sobre o envio.
A infectologista Sylvia Lemos, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirma que a rejeição das pessoas contra algumas vacinas é fruto da desinformação e que isso pode atrapalhar a imunização. “Não é para escolher. No momento em que estamos, quanto mais pessoas se vacinarem, melhor. Isso é importante para que possamos ter mais de 70% ou 80% da população atendida. Assim, uma pessoa protege a outra”, defende. Até ontem, a Secretaria de Saúde havia aplicado 683,2 mil unidades de imunizantes como primeira dose — alcançando 22,3% do total de habitantes do DF —, e 328,6 mil como reforço (10,7%).
Dia a dia – Coordenadora do posto de vacinação do Estacionamento 13 do Parque da Cidade, a enfermeira Camila Gaspar relata que viu, por enquanto, cerca de 50 pessoas desistirem da vacinação por não encontrarem doses do laboratório desejado. “Está bem difícil. Há muitas fake news sobre o tema e, com isso, muita gente quer escolher o tipo da vacina. Há pessoas que fazem o agendamento para o Parque da Cidade, por exemplo, mas, quando chegam aqui, descobrem que não temos a de uma determinada marca. Por isso, vão embora sem receber o imunizante”, conta.
Comerciante e morador da Asa Norte, Valdemar Júnior, 47 anos, recebeu a primeira dose na sexta-feira retrasada, na UBS 1 do Cruzeiro. Ele é do grupo de pessoas com comorbidades. “Vacina é vacina. Se fosse antigamente, nem haveria tantos questionamentos como hoje. Quando eu era menino, a gente simplesmente se vacinava. Nem conhecíamos como era esse processo. E as doses também podiam não ser 100% eficazes e ter efeitos colaterais”, comenta. (fonte:correiobraziliense.com.br)
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