
O Ministério Público Federal analisa casos de ao menos 29 pessoas que podem ter recebido uma terceira dose da vacina contra a covid-19. As supostas revacinações foram registradas em quatro estados e no Distrito Federal, e os envolvidos podem ser responsabilizados civil e criminalmente pelo ato.
Com exceção da Janssen, de dose única, todas as demais vacinas disponíveis no país (Pfizer, AstraZeneca e Coronavac) são aplicadas duas vezes. Não existem recomendações oficiais para a aplicação de uma terceira dose de imunizante, e as autoridades correm para vacinar a população o mais rápido possível com as unidades disponíveis. Ao tomar uma dose adicional e desnecessária, os suspeitos estariam burlando a fila e prejudicando o esquema de vacinação coletiva.
Apesar da maior parte das ocorrências virem do Rio de Janeiro, as denúncias de aplicação de terceira dose vieram a público em meados de maio, com a investigação de quatro médicos pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Em 30 de junho, ganhou destaque o caso de uma veterinária paulista que postou em suas redes sociais, que mesmo imunizada com as duas doses da Coronavac, resolveu burlar o sistema para tomar a dose única da Janssen. O Ministério Público pediu à polícia a abertura de um inquérito para investigá-la.
Em São Caetano, também na região metropolitana de São Paulo, um médico e um professor que já tinham recebido duas doses da Coronavac podem ter sido revacinados com a Pfizer e a Janssen. Em Araçatuba, interior do estado, um servidor da saúde teria tomado uma terceira dose da Astrazeneca. Outros casos são investigados em Minas Gerais e no Paraná.
A chegada dos imunizantes americanos da Janssen e da Pfizer ao país a partir de abril aumentou recusas injustificadas da Coronavac e da AstraZeneca, únicas vacinas disponíveis no país até então. Os quatro imunizantes aplicados no Brasil tem eficácia próxima de 100% quando trata-se da prevenção de casos graves e mortes pela covid-19.
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