sexta-feira , 24 julho 2026
Esportes

Governo Bolsonaro deixa vencer R$ 243 mi em vacinas, testes e remédios

131

O Ministério da Saúde deixou vencer a validade de um estoque de medicamentos, vacinas, testes de diagnóstico e outros itens que, ao todo, são avaliados em mais de R$ 240 milhões. Agora, todos esses produtos devem ser incinerados.
O cemitério de insumos do SUS está em Guarulhos (SP), no centro de distribuição logística da pasta. Ali estão 3,7 milhões de itens que começaram a vencer há mais de três anos. Quase todos expiraram durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido).
Todo o estoque é mantido em sigilo pelo ministério. A pasta usa documento interno de 2018 para negar pedidos de acesso aos dados sobre produtos armazenados ou vencidos, argumento já apontado como inadequado pela CGU (Controladoria-Geral da União).
Mas a Folha teve acesso a tabelas do ministério com dados sobre os itens, número de lote, data de validade e valor pago pelo governo. A lista de produtos vencidos inclui, por exemplo, 820 mil canetas de insulina, suficientes para 235 mil pacientes com diabetes durante um mês. Valor: R$ 10 milhões.
O governo Bolsonaro também perdeu frascos para aplicação de 12 milhões de vacinas para gripe, BCG, hepatite B (quase 6 milhões de doses), varicela, entre outras doenças, no momento em que despencam as taxas de cobertura vacinal no Brasil. Só esse lote é avaliado em R$ 50 milhões.
Os produtos vencidos também seriam destinados a pacientes do SUS com hepatite C, câncer, Parkinson, Alzheimer, tuberculose, doenças raras, esquizofrenia, artrite reumatoide, transplantados e problemas renais, entre outras situações.
Alguns itens que serão incinerados estão em falta nos postos de saúde.
Vice-presidente do Instituto Vidas Raras, Amira Awada afirma que há grave desabastecimento e estima que mais de mil pacientes aguardam por remédios.
“O que nós mais escutamos é que somos culpados pelo déficit orçamentário do Ministério da Saúde, mas é a pasta que perde milhões ao deixar medicamentos vencerem. Nós passamos da fase da revolta, estamos sem perspectiva”, disse Awada.
A entidade calcula que 15 milhões de pessoas vivem com doenças raras no Brasil. “Eu nunca vi uma situação tão difícil em 12 anos. Não conseguimos nem falar com eles [representantes do ministério].”
Parte dos medicamentos de doenças raras foi devolvida ao ministério por pacientes que deixaram de usar os produtos ou morreram. A Saúde não respondeu se fez o remanejamento dos fármacos.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Ginásio esportivo reinaugurado em Samambaia, DF, após reforma de R$ 1,2 milhão, com fachada moderna e quadra visível.
Distrito FederalEsportesPolítica

Ginásio de Samambaia é reinaugurado após reforma de R$ 1,2 milhão no DF

Na última quinta-feira, 23 de abril de 2026, o Ginásio de Esportes...

Ginásio poliesportivo reformado em Samambaia, DF, com investimento de R$ 1,2 milhão.
Distrito FederalEsportesPolítica

Celina Leão reinaugura ginásio reformado em Samambaia com investimento de R$ 1,2 milhão

A governadora Celina Leão reinaugurou o Ginásio de Esportes de Samambaia, no...

Maratona em Brasília celebrando 66 anos da cidade, com vista do Eixo Monumental e monumentos icônicos.
BrasíliaDistrito FederalEsportes

Maratona Brasília 2026 reúne milhares nos 66 anos da capital com Celina Leão

Brasília celebrou seus 66 anos com o início das comemorações marcado pela...