
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgou na tarde desta quinta-feira (9) um texto em que fala sobre a crise institucional, abalada depois das falas dele mesmo contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Morais.
No movimento, o presidente – depois que várias rodovias do Brasil foram bloqueadas por caminhoneiros aliados, mesmo contra a vontade dele – parece levantar bandeira branca às outras instituições.
O documento foi redigido por Bolsonaro após almoço com o ex-presidente da República Michel Temer. Depois da publicação da carta (leia a íntegra abaixo), a Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que operava em baixa, disparou e virou para alta.
No documento, Bolsonaro ele afirma nunca “intenção de agredir quaisquer dos Poderes”, e que a harmonia entre eles é uma determinação constitucional. Fala bem diferente das dos atos do dia 7, em que chamou o ministro Alexandre de Morais de “canalha”, e afirmou que iria “enquadrar” os ministros do Supremo. Também afirmou que não cumpriria as decisões de Moraes.
O presidente credita a crise institucional a “discordâncias” em relação a decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas afirma que “essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal”.
Declaração à Nação
No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:
- Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.
- Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.
- Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.
- Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.
- Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.
- Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.
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