quinta-feira , 23 abril 2026
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CPI COVID: Mayra Pinheiro defende cloroquina e contradiz versões de Pazulello sobre tratamento no AM

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Em depoimento à CPI da Covid, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, fez defesa ferrenha do uso da hidroxicloroquina, e admitiu que a pasta federal orientou médicos de todo o país para que adotassem o tratamento precoce. Conhecida como “capitã cloroquina”, Mayra também apresentou versões que conflitam com as apresentadas à comissão na semana passada pelo ex-ministro Eduardo Pazuello, em particular sobre a crise em Manaus e a plataforma TrateCov.
Mayra é investigada em ação que corre em segredo de Justiça do Amazonas. Ela confirmou ter informado à Secretaria de Saúde do Amazonas que era “inadmissível” não adotar a orientação da pasta. ​A secretária foi questionada sobre o tema pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). O senador leu trecho de um ofício encaminhado ao Amazonas no qual estimulava a gestão municipal a usar as drogas orientadas pelo Ministério da Saúde.
“Aproveitamos a oportunidade para ressaltar a comprovação científica sobre o papel das medicações antivirais orientadas pelo Ministério da Saúde, tornando dessa forma inadmissível, diante da gravidade da situação de saúde em Manaus, a não adoção da referida orientação”, diz trecho do documento lido por Renan.
Mayra ainda afirmou à CPI que a diretriz do ministério não valia apenas para os médicos amazonenses. “A orientação para tratamento precoce é para todos os médicos brasileiros, não só para Manaus”, disse a secretária. Ela também defendeu pessoalmente a hidroxicloroquina. Disse que, como médica, mantém a orientação “de que a gente possa usar todos os recursos possíveis para salvar vidas”. Por outro lado, disse que nunca recebeu ordens para propagar o medicamento. “Nunca recebi ordens, e a indicação desses medicamentos não é iniciativa minha pessoal”, disse. Ela depois ainda afirmou que a cloroquina e outros medicamentos foram “criminalizados”, com a publicação de dois estudos acadêmicos.
“A gente teve um grande prejuízo à humanidade de pessoas que poderiam não ter sido hospitalizadas e não terem ido a óbito se a gente não tivesse criminalizado duas medicações antigas, seguras e baratas, que poderiam ter sido disponibilizadas e prescritas pelo médico”, disse. A defesa da cloroquina foi rebatida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico. O senador afirmou que a hidroxicloroquina é um antiparasitário e que portanto não há estudos conclusivos para tratar doença causada por vírus. “Não tem nenhum estudo que possa demonstrar que foi feita a primeira, segunda, terceira e quarta fase. Além disso, doutora, todos esses estudos têm que ser acompanhados do ponto de vista farmacológico, farmacodinâmico e farmacocinético, para saber como a droga no organismo do paciente desenvolve sua ação. Hidroxicloroquina não é antiviral em estudo sério nenhum no mundo”, afirmou. “Essa insistência de permanecer no erro não é virtude, doutora, é defeito de personalidade. Não é da senhora, não, eu estou me referindo até ao presidente da República”, completou.
Em seu depoimento, a secretária também contradisse versões dadas por Pazuello, em especial sobre o colapso do sistema de saúde de Manaus. Apresentou, por exemplo, uma data diferente em que o Ministério da Saúde tomou conhecimento de problemas da falta de oxigênio, que resultou na morte de pessoas asfixiadas.
A secretária afirmou que o Ministério da Saúde tomou conhecimento dos problemas de falta de oxigênio medicinal em Manaus por meio de um email da empresa White Martins, que havia sido repassado pelas autoridades locais para a pasta.
Mayra afirmou que não foi informada do problema da falta de oxigênio no período em que esteve atuando em Manaus, em missão do ministério. “Não houve uma percepção que faltaria. De provas, é que nós tivemos uma comunicação por parte da secretaria estadual que transferiu para o ministro um email da White Martins dando conta que haveria um problema de abastecimento”, respondeu.
“O ministro teve conhecimento do desabastecimento de oxigênio em Manaus creio que no dia 8 [de janeiro], e ele me perguntou: ‘Mayra, por que você não relatou nenhum problema de escassez de oxigênio?’. Porque não me foi informado”, disse à CPI.
Em depoimento à comissão, Pazuello disse que foi informado do problema apenas na noite do dia 10 de janeiro. No dia 7 de janeiro, a White Martins enviou email à Secretaria de Saúde do Amazonas na qual informou que não tinha quantidade suficiente de oxigênio para suprir a demanda do estado. No mesmo email, a White Martins aponta o nome de outro concorrente, Carboxi, que poderia ter a carga necessária, segundo documento a que a Folha teve acesso. (com informações Folha de São Paulo)

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