O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encerrou na noite desta quarta-feira uma obstrução promovida por deputados de oposição no plenário da Casa. Sob forte resistência, incluindo a intervenção do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que o impediu temporariamente de se sentar na cadeira da Presidência, Motta subiu à Mesa Diretora com dificuldade e, após negociações, retomou o controle por volta das 22h. A sessão foi marcada por interrupções de ambos os lados, com oposicionistas e governistas gritando palavras de ordem, e discussões acaloradas entre deputados do PSol e do PL no corredor central.
Em seu discurso, Motta apelou por ordem e diálogo, reiterando compromissos assumidos em sua posse, como presidir com respeito à democracia. Ele destacou que tentou dialogar com líderes para resolver a crise e enfatizou que o Parlamento deve priorizar soluções para o país, sem ceder a projetos pessoais ou eleitorais. A obstrução foi motivada por protestos contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes do STF, com oposicionistas pressionando pela votação de anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e pelo impeachment de Moraes. Motta criticou a ação, afirmando que ela não beneficia a Casa, mas defendeu o direito de manifestação dentro do regimento e da Constituição.
Horas antes, Motta havia ameaçado suspender por até seis meses os mandatos de parlamentares que impedissem as atividades legislativas, conforme o Regimento Interno. Agentes da Polícia Legislativa Federal foram posicionados no plenário, e deputados bolsonaristas usaram redes sociais para reforçar a ocupação. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre condenou a tática e convocou uma sessão remota para quinta-feira, garantindo a votação de pautas como a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até dois salários mínimos, e afirmou que o Parlamento não será refém de intimidações.