quinta-feira , 23 abril 2026
Política

Vagas ociosas no CNU geram revolta entre aprovados e acusações de desigualdade

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Um grupo de candidatos aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU) tem se mobilizado para denunciar a existência de vagas remanescentes não preenchidas, mesmo após a prorrogação do prazo de matrícula para a segunda chamada dos cursos de formação. O caso mais emblemático envolve o cargo de analista técnico de políticas sociais (ATPS), com 64 vagas ociosas de um total de 293 ofertadas, segundo dados oficiais da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Os aprovados na lista de espera argumentam que essas vagas possuem orçamento vinculado e que não há justificativa para o não preenchimento, acusando violações aos princípios de isonomia, eficiência administrativa, legalidade e boa-fé por parte do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e da Enap.

Os candidatos relatam dificuldades em estabelecer diálogo com o MGI, com contatos limitados via sindicato, e expressam receio de que as convocações não ocorram dentro do prazo de vigência do concurso, que em alguns casos expira em junho de 2026. Eles apontam ainda que servidores temporários estão sendo utilizados para ocupar vagas definitivas, o que agrava a situação. Uma das aprovadas, que preferiu não se identificar, mencionou que sua carreira tem mais de mil pessoas na lista de espera e que chamadas recentes, como para cerca de 250 vagas, não resolvem o problema. Além disso, há relatos de uma candidata que obteve alteração de nota via ação judicial, mas ainda não teve sua posição corrigida na classificação final.

A controvérsia ganha força com a alegação de tratamento desigual entre as edições dos cursos de formação. Na primeira turma, realizada de abril a julho de 2025, foram permitidas até três chamadas sucessivas para evitar vagas remanescentes, conforme o Edital nº 05/2024. No entanto, para a segunda edição, regida pelo Edital Específico nº 06/2025 e pela Portaria Enap nº 70 de novembro de 2025, não há previsão de novas convocações após perda de matrícula. Os aprovados defendem que essa mudança compromete a eficiência do certame, lançado em 2024 para otimizar recursos e acelerar o provimento de cargos estratégicos, e pedem ao menos uma nova chamada em janeiro de 2026 para cargos como ATPS, analista de comércio exterior, analista de infraestrutura, especialista em políticas públicas e gestão governamental, e analista em tecnologia da informação.

O Ministério da Gestão e Inovação não respondeu às solicitações de comentário sobre as reclamações até o momento, deixando o debate em aberto entre os candidatos que buscam evitar desperdício de recursos públicos e garantir o preenchimento de vagas essenciais para políticas sociais no país.

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