Em reunião no Palácio do Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin discutiram com ministros do governo o decreto que regulamentará a Lei da Reciprocidade Econômica. O texto deve ser publicado até amanhã. Com a regulamentação, o Brasil poderá adotar contramedidas contra interferências em suas escolhas soberanas, medidas unilaterais baseadas em requisitos ambientais mais rigorosos que os brasileiros ou violações de acordos comerciais.
Entre as medidas possíveis estão a imposição de tarifas, ações multilaterais como recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) e a revisão de isenções comerciais. Atualmente, oito dos dez produtos mais exportados pelos EUA ao Brasil não têm imposto. Participaram da reunião os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Carlos Fávaro (Agricultura), Gleisi Hoffman (Secretaria de Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Comunicação Social), a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), além da ex-ministra Miriam Belchior.
A Lei da Reciprocidade foi sancionada em abril deste ano, após aprovação no Congresso, e sua regulamentação foi acelerada após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA pelo presidente Donald Trump. A medida visa equilibrar a relação comercial entre os países, que Trump alegou estar desequilibrada. Trump também mencionou sua insatisfação com o julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, mas especialistas como Felipe Bocayuva destacam que a questão principal é econômica, relacionada à reunião do Brics e à possível desvalorização do dólar nos acordos comerciais.
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