A decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de proibir reuniões de comissões durante o recesso parlamentar gerou protestos da oposição. Em coletiva de imprensa, parlamentares classificaram a medida como “ilegal” e acusaram o comando da Casa de cercear o trabalho legislativo. A publicação da decisão no Diário Oficial da Câmara frustrou planos de comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública, que haviam convocado reuniões para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a decisão não tem amparo no regimento interno. “A única autoridade que poderia deliberar durante o recesso seria o presidente em exercício, Elmar Nascimento. A decisão de Hugo Motta é antirregimental e ilegal”, afirmou. Sóstenes também criticou: “A censura começou com a caneta de Alexandre de Moraes e agora continua na Câmara. Me sinto amordaçado numa Casa que deveria ser do povo.” A oposição argumenta que o recesso branco não impede a realização de comissões ou sessões extraordinárias.
Na contramão, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), minimizou o impacto da suspensão das comissões, lembrando que o adiamento de pautas como a LDO não é incomum. Enquanto os trabalhos legislativos só devem ser retomados em 4 de agosto, os bolsonaristas planejam manifestações em todo o país para o dia 3 de agosto, focando em críticas ao STF e apoio a Bolsonaro.