Em meio às crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o Brasil permanecerá na mesa de negociações, mas sem aceitar qualquer forma de subordinação. Durante entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, ele destacou a importância de um diálogo respeitoso, onde ambos os povos se sintam valorizados, evitando sentimentos de “viralatismo”. Haddad mencionou que empresários norte-americanos já demonstram maior sensibilidade aos pleitos brasileiros e minimizou a data de 1º de agosto, quando entra em vigor uma nova alíquota imposta unilateralmente pelos EUA, afirmando que ela não é “fatídica” e pode ser alterada.
O ministro evitou confirmar se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará uma ligação direta ao presidente Donald Trump, enfatizando a necessidade de preparação e protocolo para manter o respeito à soberania. Em tom crítico à gestão anterior, Haddad frisou que o governo de Jair Bolsonaro foi marcado pela subserviência, e o atual busca virar essa página com humildade e dignidade. Ele expressou confiança em um trabalho robusto para enfrentar a situação, priorizando a proteção das empresas e trabalhadores brasileiros, enquanto mantém a busca por racionalidade e respeito mútuo.
Haddad não detalhou medidas em estudo, afirmando que a decisão sobre escala, montante e data caberá ao presidente da República. O foco imediato, segundo ele, é obter uma resposta formal dos EUA às cartas enviadas desde maio, para entender os interesses em jogo e buscar uma solução. Apesar da postura endurecida do governo Trump, que alega falta de tempo para negociações individuais, o Brasil continuará defendendo o diálogo para preservar a relação amistosa entre os países.