quinta-feira , 23 abril 2026
Política

Banco Central rejeita compra do Banco Master pelo BRB em meio a controvérsias políticas

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O Banco Central rejeitou na noite de ontem a proposta de aquisição de uma fatia do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A decisão foi comunicada às partes após o fechamento do mercado, e o BRB confirmou a informação por meio de um fato relevante enviado a investidores. A instituição afirmou que solicitará acesso à íntegra da decisão para avaliar os fundamentos técnicos e possíveis alternativas. A operação, anunciada em 28 de março, previa a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master por R$ 2 bilhões, e já havia recebido aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em junho, sem restrições à concorrência.

Apesar da aprovação do Cade, a transação enfrentava críticas devido à saúde financeira do Banco Master, que oferece rendimentos agressivos de até 140% do CDI, acima da média para bancos pequenos. Críticos viam a operação como uma tentativa de resgate do Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o que poderia prejudicar o BRB. A rejeição ocorre em um contexto de tensões, com o Master citado na CPMI do INSS por supostas fraudes em empréstimos consignados e parceiros do banco alvos da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal, que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

No âmbito político, a decisão do Banco Central coincide com articulações no Congresso para aprovar um projeto de lei que permitiria a demissão de diretores e do presidente da autarquia, interpretado por alguns como pressão para autorizar a compra. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou preocupação com o texto, afirmando que ele não traz benefícios e surge sem discussões prévias. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), havia encaminhado um projeto de lei à Câmara Legislativa para viabilizar a operação, aprovado em regime de urgência apesar de protestos da oposição.

A rejeição foi celebrada por opositores, como o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que destacou a defesa dos interesses da população ao evitar o envolvimento do BRB com um banco em crise e problemas financeiros graves. O BRB reiterou que a transação representava uma oportunidade estratégica e informou que o contrato será rescindido conforme seus termos, mantendo o mercado atualizado sobre desdobramentos.

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