O governo dos Estados Unidos anunciou novas retaliações contra autoridades brasileiras e seus familiares, revogando vistos de entrada para o advogado-geral da União, Jorge Messias, e outras seis pessoas. Além disso, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sancionada com base na Lei Global Magnitsky, assim como a empresa Lex Instituto de Estudos Jurídicos, da qual ela e os filhos são sócios. Essas medidas coincidem com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos EUA para a Assembleia-Geral da ONU, em meio a uma crise diplomática que inclui tarifas sobre produtos brasileiros, supostamente em reação aos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nas redes sociais, o secretário de Estado Marco Rubio comentou as sanções com tom de ameaça, afirmando que elas servem como alerta para quem ameaça os interesses dos EUA ao proteger atores como Moraes. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, destacou que os EUA continuarão mirando indivíduos que apoiam Moraes em supostos abusos de direitos humanos, incluindo censura, detenções arbitrárias e processos politizados contra Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Desde julho, vistos de oito ministros do STF foram cancelados, incluindo Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, além de outros nomes como o procurador-geral da República Paulo Gonet Branco e juízes auxiliares de Moraes.
Alexandre de Moraes reagiu em nota, classificando a decisão como ilegal e lamentável, violando o direito internacional e a soberania brasileira, e afirmou que juízes não aceitarão coações. O STF considerou a medida injusta e baseada em narrativas falsas sobre o julgamento de Bolsonaro, conduzido com base em provas e ritos constitucionais. O Ministério das Relações Exteriores expressou indignação, vendo as sanções como ingerência indevida que ofende 201 anos de amizade entre os países, enquanto Jorge Messias as qualificou como ações unilaterais incompatíveis com relações diplomáticas harmoniosas.