O ministro Luís Roberto Barroso conclui hoje sua gestão de dois anos à frente do Supremo Tribunal Federal (STF), passando o cargo para Edson Fachin. Entre as realizações destacadas, ele enfatiza contribuições ao Judiciário, como a implementação do Exame Nacional da Magistratura e ações afirmativas para aumentar a presença de mulheres e juízes negros no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Barroso também ressalta a união do tribunal em temas cruciais, como o combate ao negacionismo durante a pandemia, decisões ambientais e a rejeição ao voto impresso, visto por ele como pilar de uma possível trama golpista. Segundo o ministro, o STF atuou para proteger vidas e a democracia, intervindo em questões como vacinação compulsória e preservação de fundos para o clima.
Apesar das conquistas, Barroso expressa frustração por não ter avançado mais na pacificação do país em um ambiente democrático marcado por ódio e polarização. Otimista, inspirado na filosofia kantiana, ele acredita na evolução histórica do Brasil, com o julgamento da trama golpista rompendo ciclos de golpes e anistias. O ministro diferencia o conservadorismo legítimo do extremismo disruptivo e defende que punições, como as aplicadas nos casos do 8 de Janeiro, servem de prevenção geral, rejeitando anistias imediatas que perpetuariam o atraso.
Barroso relata custos pessoais elevados, incluindo ameaças que exigem escolta constante e sanções como a Lei Magnitsky, que afetam sua vida globalmente. Sereno quanto ao futuro, planeja um retiro espiritual ligado à filosofia Brahma Kumaris para refletir sobre permanecer no STF ou seguir outros caminhos, como projetos acadêmicos ou filantrópicos. Ele destaca a produtividade da corte em julgamentos sobre plataformas digitais, descriminalização parcial de drogas e segurança pública, visando um Judiciário mais equitativo e eficiente.