quinta-feira , 22 outubro 2026
Segurança e Justiça

Por que o Distrito Federal escapa do domínio das grandes facções criminosas

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A recente megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, destaca o alcance das facções criminosas no Brasil, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC). Embora essas organizações atuem em diversas regiões, inclusive no Distrito Federal, a capital federal permanece fora da lista de territórios dominados por elas. De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a forte estrutura estatal no DF, com eficiência no sistema prisional e no enfrentamento a grupos como o PCC, limita sua influência nas dinâmicas urbanas, na violência e nos mercados ilícitos.

O especialista em segurança pública Renato Araújo explica que o controle se dá por meio de políticas de prevenção, inteligência que mapeia atores e fluxos financeiros, e um ecossistema policial integrado entre a Polícia Civil (PCDF), Militar (PMDF) e Penal (PPDF). Essa integração, com centros de inteligência e protocolos de compartilhamento de dados, diferencia o DF de outros estados. O governador Ibaneis Rocha chegou a oferecer a inteligência da PCDF para auxiliar investigações no Rio. Araújo destaca lições exportáveis, como coordenação entre forças, foco em lideranças e finanças, respostas rápidas e métricas de desempenho, que reduzem a margem de manobra das facções.

Desde 2019, líderes de alta periculosidade, como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, do PCC, foram transferidos para a Penitenciária Federal de Brasília, aproximando as facções da capital. O especialista Nelson Gonçalves nota que elementos criminosos acompanham esses líderes, alimentando rivalidades e disputas territoriais nos presídios. Medidas como interceptação de bilhetes, separação de presos por perfil de risco e bloqueio de comunicações ilícitas mantêm o controle, segundo o Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri). Facções como PCC, CV, Terceiro Comando Puro (TCP), Comboio do Cão (CDC) — principal grupo local —, Amigos do Estado (ADE), Família do Norte (FDN) e Guardiões do Estado (GDE) têm presença no DF, com cerca de 480 detentos afiliados entre mais de 15 mil no sistema.

O pesquisador Wellinton Caixeta Maciel, do Grupo Candango de Criminologia da UnB, atribui tentativas de expansão às adaptações das facções, influenciadas pela segregação urbana entre regiões pobres e o Plano Piloto, visto como um cinturão de segurança. Fatores como precariedade na fiscalização facilitam ramificações, mas a atuação integrada das forças de segurança coíbe avanços, mantendo o DF fora do mapa de dominação faccional.

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