A Secretaria DF Legal realizou uma operação nesta sexta-feira (14/11) para interromper a construção de um condomínio irregular na Área de Proteção Ambiental (APA) da Bacia do Rio São Bartolomeu, em Planaltina, no Distrito Federal. Os fiscais derrubaram um muro de alvenaria de cerca de 180 metros, 250 metros de cerca de arame, estacas de madeira e um portão que demarcava a entrada do loteamento. A área, classificada como pública e fora de qualquer polígono de Áreas de Regularização de Interesse Social (Aris), já apresentava lotes demarcados e ruas pavimentadas com brita, resultado de uma grilagem de terras acelerada.
Imagens de satélite revelam a rapidez do desmatamento: em 2024, não havia sinais de supressão vegetal, mas em meados de 2025, os arruamentos já eram visíveis. A DF Legal destacou que os grileiros agiram em menos de seis meses, o que motivou a inclusão do local no cronograma de fiscalizações. Essa não é a primeira ação na região; em agosto deste ano, a Polícia Militar do DF e o Instituto Brasília Ambiental embargaram barragens ilegais, aplicando multa de R$ 276 mil ao responsável por soterrar o rio e derrubar árvores nativas do Cerrado.
De acordo com dados do IBGE divulgados em julho, 1.102.590 pessoas vivem em APAs no Distrito Federal, representando 39,2% da população local, a maior taxa do país. A Bacia do Rio São Bartolomeu abriga 360.760 desses moradores. A coordenadora do curso de Ciências Biológicas na Universidade Católica de Brasília, Morgana Bruno, explica que morar em áreas de preservação não é proibido, mas exige regras como preservar partes do terreno e evitar impermeabilização do solo para não prejudicar a flora e a fauna.