quinta-feira , 22 outubro 2026
Segurança e Justiça

Ataque armado resulta na morte de indígena Guarani Kaiowá em retomada no Mato Grosso do Sul

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A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) confirmou neste domingo (16) a morte de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá, de 36 anos, durante um ataque armado à retomada Pyelito Kue, no município de Iguatemi, sul do Mato Grosso do Sul. Em nota, a Funai expressou profundo pesar pelo crime, classificando-o como inaceitável, e mobilizou equipes para acompanhar as investigações e articular ações com órgãos de segurança pública. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o indígena foi atingido por um tiro na cabeça em uma ação envolvendo cerca de 20 homens armados que invadiram a área por volta das 4h da manhã. Outros quatro indígenas, incluindo adolescentes e uma mulher, ficaram feridos por disparos de arma de fogo ou balas de borracha.

Relatos da comunidade indicam que os agressores tentaram levar o corpo de Vicente, mas foram impedidos pelos indígenas, e ainda cercaram a área, bloqueando acessos e destruindo uma ponte. Servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) foram acionados para prestar atendimento. A Funai destacou que o incidente ocorre em meio a discussões globais sobre o papel dos povos indígenas na mitigação climática, como na COP30, evidenciando a persistente perseguição a defensores ambientais. A retomada Pyelito Kue está inserida na Terra Indígena Iguatemipeguá I, cujo Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação foi publicado em 2013, abrangendo 41,5 mil hectares, com a comunidade aguardando há cerca de 40 anos a conclusão do processo demarcatório.

A escalada de conflitos na região está ligada a esforços indígenas para conter a pulverização de agrotóxicos, que afetam a saúde e a segurança alimentar das aldeias. Em resposta, no dia 3 de novembro, uma força-tarefa envolvendo o Ministério dos Povos Indígenas, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) instituiu um Grupo de Trabalho Técnico para coletar informações e mediar disputas fundiárias no sul do Mato Grosso do Sul.

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