Cientistas, ambientalistas e representantes de diversos países expressaram frustração com os resultados da COP30, realizada em Belém, destacando a lentidão do processo em comparação à urgência da crise climática. Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, criticou o descolamento entre a realidade acelerada das mudanças climáticas e a resposta “paquidérmica” das lideranças, afirmando que o acordo não será suficiente para lidar com a crise já instalada. Apesar disso, ela ressaltou que a conferência evitou um colapso, com a adoção por consenso de um pacote de decisões, incluindo um texto mais político.
A principal decepção, segundo organizações como WWF e Observatório do Clima, foi a ausência de menções a combustíveis fósseis nos documentos finais, apesar de o tema ter entrado pela primeira vez nas negociações. Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, e Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, lamentaram a falta de um roteiro para a transição energética, atribuindo o bloqueio a vários países. No entanto, avanços foram notados, como a inclusão inédita de referências a afrodescendentes nos textos centrais. Representantes internacionais, incluindo o enviado chinês Liu Zhenmin e o comissário europeu Wopke Hoekstra, apontaram para a pouca ambição no financiamento climático, em um contexto de divisões geopolíticas onde potências como Estados Unidos e China influenciaram o resultado.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu que os consensos obtidos foram importantes, mas insuficientes diante das divisões globais. Com a COP31 programada para a Turquia, em uma parceria inovadora com a Austrália dividindo o comando das negociações, espera-se um ano de trabalho para impulsionar ações climáticas mais ambiciosas.