Após 160 dias do primeiro incidente, o aterro sanitário Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO), registrou o terceiro desabamento de resíduos em menos de 15 dias, atingindo o córrego Santa Bárbara. O deslizamento, ocorrido na madrugada entre segunda (24) e terça-feira (25), envolveu um volume de lixo superior a 3 mil toneladas, bloqueando parcialmente o leito do córrego e espalhando resíduos como sacolas, lixo doméstico, seringas e frascos de remédios. A comunidade de Monte Alto, com cerca de 20 mil moradores, enfrenta restrições no uso da água do córrego desde junho, agravando problemas para consumo próprio, plantações e criação de gado. Moradores relataram uma coloração lamacenta na água, com lixo invadindo chácaras próximas.
A sensação de abandono por parte de órgãos públicos foi destacada por residentes, como uma moradora anônima que classificou o episódio como uma “tragédia anunciada” e criticou a inação apesar de denúncias antigas. Joana Santana, de 75 anos, relatou o retorno de odores fortes e infestações de moscas, afetando sua saúde com dores de cabeça, náuseas e enjoos, forçando-a a tomar medicamentos e até deixar sua casa temporariamente. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad-GO) prepara um novo auto de infração contra a empresa Ouro Verde, que atribui o desabamento às chuvas recentes e afirma que a área estava isolada, embora moradores contestem com fotos mostrando a contaminação.
A empresa Ouro Verde iniciou a remoção dos resíduos, prometendo ações como instalação de tubulações para drenagem de gás e chorume, além de obras de estabilização de taludes. O Ministério Público de Goiás (MPGO) acompanha o caso, aguardando relatórios técnicos da Semad-GO para avaliar impactos e adotar medidas, incluindo uma ação judicial de 2021 para reparação ambiental. Apesar da contaminação, autoridades afirmam que não há risco para o Rio Descoberto, que abastece parte do Distrito Federal, mas há preocupações com a Bacia Tocantins-Araguaia e a usina Hidrelétrica Serra da Mesa.