As duas maiores economias globais, China e Estados Unidos, respondem por quase metade das emissões de gases de efeito estufa no planeta, mas adotam abordagens contrastantes na transição energética. Enquanto Pequim investe maciçamente em tecnologias verdes como instrumento de desenvolvimento econômico, Washington ampliou a exploração de combustíveis fósseis, saiu do Acordo de Paris e optou por não participar das discussões na COP30, em Belém. Essa divergência, analisada pelo professor Lucas Corrêa, da Universidade Estadual de Santa Catarina, reflete uma disputa geopolítica que se arrasta há duas décadas, conforme detalhado em sua tese de doutorado sobre a corrida pelas tecnologias energéticas verdes.
Lucas Corrêa, em conversa com Victor Boyadjian no podcast O Assunto, do g1, explica os tipos de tecnologias priorizadas pela China, incluindo a expansão de painéis solares, como na ‘Grande Muralha Solar’ que combate a desertificação no deserto de Kubuqi, na Mongólia Interior. A estratégia chinesa também impulsiona a venda de carros elétricos em mercados emergentes: no Brasil, oito em cada dez veículos elétricos vendidos são de marcas chinesas. Além disso, Pequim planeja investir R$ 27 bilhões no país em energia limpa, carros elétricos e mineração.
As consequências geopolíticas dessas estratégias opostas são significativas, segundo Corrêa. Enquanto a China posiciona-se como líder em inovação verde, fortalecendo sua influência global, os EUA, ao priorizar fontes fósseis, enfrentam críticas internacionais e impactos ambientais que afetam o planeta inteiro. Essa divisão pode alterar equilíbrios de poder, com decisões políticas em Washington influenciando diretamente a luta contra o aquecimento global.