José Antonio Kast, candidato direitista, foi eleito presidente do Chile após uma vitória expressiva sobre a candidata comunista Jeannette Jara no segundo turno das eleições. Jara reconheceu a derrota publicamente no Twitter, desejando sucesso ao novo presidente para o bem do país. Essa conquista marca a terceira tentativa de Kast na corrida presidencial: em 2017, obteve apenas 8% dos votos, ficando em quarto lugar; em 2021, venceu o primeiro turno, mas perdeu para Gabriel Boric no segundo, com 44% contra 56%. Desta vez, Kast superou Jara, que liderou o primeiro turno, graças ao apoio de candidatos derrotados como Johannes Kaiser e Evelyn Matthei, consolidando uma maioria confortável nas pesquisas.
Nascido em Paine, na região metropolitana de Santiago, Kast é o caçula de dez filhos de imigrantes alemães que chegaram ao Chile após a Segunda Guerra Mundial. Advogado católico e conservador, ele fundou o Partido Republicano após se distanciar da União Democrática Independente (UDI), criticando o “politicamente correto”. Sua trajetória inclui controvérsias, como a defesa do regime de Augusto Pinochet, onde afirmou que votaria no ditador se estivesse vivo, e questões sobre o passado nazista de seu pai, Michael Kast, revelado por investigações jornalísticas. Kast rejeita o rótulo de extrema-direita e enfatiza sua proximidade com o movimento católico de Schoenstatt, sendo casado com María Pía Adriasola e pai de nove filhos.
As propostas de Kast evocam comparações com líderes como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele. Ele promete um “governo de emergência” focado em segurança e migração, incluindo cercas ou valas nas fronteiras com Bolívia e Peru, e uma abordagem de “mão de ferro” inspirada em Bukele, cuja megaprisão visitou. Economicamente, defende cortes fiscais de US$ 6 bilhões, criticando a “casta política”. Analistas como Robert Funk, da Universidade do Chile, veem nele uma direita nacionalista populista, alinhada a modelos internacionais, embora Kast demonstre compromisso com a democracia ao reconhecer derrotas passadas e evitar questionar o sistema eleitoral. Sua vitória reflete preocupações chilenas com segurança, apesar dos baixos índices de violência na região.