José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile com mais de 58% dos votos no segundo turno, derrotando a candidata de esquerda Jeannette Jara. Alinhado à direita conservadora, Kast moderou seu discurso durante a campanha, prometendo reforçar a segurança pública e endurecer as regras de imigração. Após a vitória, ele se encontrou com o atual presidente Gabriel Boric para iniciar o processo de transição, com posse prevista para março de 2026. Em seu primeiro discurso, Kast adotou um tom conciliador, afirmando que será o presidente de todos os chilenos e pedindo ajuda da oposição para combater o crime organizado.
A eleição de Kast reforça um movimento recente de avanço da direita na América do Sul. Em outubro, a Bolívia rompeu um ciclo de quase duas décadas de governos de esquerda, sinalizando uma mudança no mapa ideológico do continente. Para analisar o resultado chileno, o podcast O Assunto, apresentado por Natuza Nery, recebeu o sociólogo e doutor em geografia humana pela USP, Demétrio Magnoli, que é comentarista da GloboNews e colunista dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.
Demétrio Magnoli avalia as mudanças no discurso de Kast e no eleitorado que levaram à sua vitória na terceira disputa presidencial. Ele discute a lógica da “eleição por rejeição” e verifica se esse fenômeno se repete em outros países sul-americanos. Por fim, o analista conclui sobre o equilíbrio das forças da direita e da esquerda no continente, destacando traços em comum entre os países governados por presidentes de ambos os espectros políticos.