O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva de Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), condenado a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento na trama golpista. Vasques foi detido pela polícia paraguaia ao tentar embarcar para El Salvador com documentação falsa e, posteriormente, entregue à Polícia Federal na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR). Segundo a PF, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu de Santa Catarina em um carro alugado, carregando pertences pessoais, incluindo itens para seu cachorro, como ração e tapetes higiênicos, o que sugere planejamento prévio e intenção de não retornar.
Relatórios da PF revelam que a fuga ocorreu no dia 25 de dezembro. Imagens de câmeras mostram Vasques deixando seu condomínio em São José (SC) por volta das 19h22 da véspera de Natal, carregando bolsas e o animal, aparentando ser da raça pitbull. O sinal da tornozeleira cessou na madrugada seguinte, atribuído ao esgotamento de bateria, e agentes não o encontraram em seu apartamento. Ele cruzou a fronteira para o Paraguai e tentou voar para San Salvador usando um passaporte paraguaio com identidade falsa, em cooperação investigativa entre autoridades brasileiras e paraguaias.
Na decisão, Moraes destacou que o comportamento de Vasques configura fuga deliberada, justificando a prisão para garantir a aplicação da lei penal. Ao ser detido, o ex-diretor apresentou uma declaração médica afirmando sofrer de glioblastoma multiforme grau IV, um câncer cerebral agressivo que o impediria de falar ou ouvir, solicitando comunicação por escrito. Ele alegava viajar para tratamento médico, com sessões recentes de radioterapia e quimioterapia em Foz do Iguaçu, mas afirmava estar lúcido para a jornada. O caso se soma a outros envolvendo aliados de Jair Bolsonaro, como a fuga de Alexandre Ramagem para os Estados Unidos e a prisão de Carla Zambelli na Itália.