terça-feira , 27 outubro 2026
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Goiás tem o dobro de homicídios do DF no Entorno de Brasília

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Reprodução do card do podcast Papo Político, da CBN Goiânia, ao lado das taxas de homicídio por 100 mil habitantes no Entorno do DF: Luziânia 27,1, Novo Gama 24,1, Planaltina de Goiás 22,3, Valparaíso de Goiás 21,1 e Distrito Federal 10,3. Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
Reprodução do card do podcast Papo Político, da CBN Goiânia, ao lado das taxas de homicídio por 100 mil habitantes no Entorno do DF: Luziânia 27,1, Novo Gama 24,1, Planaltina de Goiás 22,3, Valparaíso de Goiás 21,1 e Distrito Federal 10,3. Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

O slogan de que Goiás ostenta a melhor segurança pública do Brasil colide frontalmente com os números do Entorno de Brasília, onde as cidades goianas registram taxas de homicídios que chegam a 2,6 vezes a do Distrito Federal. Enquanto o DF apresenta 10,3 homicídios por 100 mil habitantes segundo o Atlas da Violência 2026, municípios como Luziânia (27,1), Novo Gama (24,1), Planaltina de Goiás (22,3) e Valparaíso de Goiás (21,1) revelam uma realidade muito mais grave para quem cruza a divisa diariamente. O governador Daniel Vilela repetiu em 7 de setembro de 2026, durante as comemorações da Independência, que Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro e que assim continuará, mas os dados do Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública) mostram que essa afirmação não se sustenta na periferia metropolitana.

O morador do Entorno vive na prática essa discrepância: dorme em Luziânia ou Valparaíso e trabalha em Brasília, exposto à letalidade de um estado que o Ranking de Competitividade dos Estados 2026 coloca apenas em 10º lugar no pilar de Segurança Pública, com nota 43,4. A jornalista Fabiana Pulcineli destacou no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia, que o Estado piorou em vários indicadores específicos, incluindo qualidade da informação criminal e mortes a esclarecer.

O ranking que expõe as fragilidades

No 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, Goiás registrou 16,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, mais que o dobro de Santa Catarina (7,6) e São Paulo (7,8). Esse número estadual ainda reflete avanços reais em relação a anos anteriores, mas a média mascara a concentração de violência nas cidades que fazem fronteira com o Distrito Federal.

O Ranking de Competitividade dos Estados 2026 (CLP e Tendências Consultoria) posiciona Goiás em 23º lugar em qualidade da informação criminal, 19º em mortes a esclarecer, 17º em violência sexual e 13º em feminicídio. Esses índices, apresentados por Fabiana Pulcineli, mostram que os registros oficiais carecem da robustez necessária para sustentar o discurso de excelência.

Goiás está muito mal nesse item que trata dos registros estatísticos, que é responsabilidade do Estado. Aparece em 23º.

Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia

A diferença entre os dois lados da divisa não pode ser atribuída apenas ao crescimento populacional acelerado da região. O problema é compartilhado entre DF e Goiás, mas a responsabilidade pela segurança nas cidades goianas pertence exclusivamente ao governo estadual, que precisa apresentar respostas específicas para essa faixa metropolitana.

A cobrança por metas concretas no entorno

Daniel Vilela também afirmou em maio de 2026, ao anunciar pacote de valorização das forças de segurança, que o trabalho era feito pela melhor segurança pública do Brasil. No entanto, o Atlas da Violência 2026 demonstra que as quatro cidades goianas mais letais estão justamente coladas ao Distrito Federal, com taxas entre 21,1 e 27,1 homicídios por 100 mil habitantes.

Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro. E é assim que vai continuar.

Daniel Vilela, governador de Goiás, em 7 de setembro de 2026

O 23º lugar em qualidade da informação criminal e o 19º em mortes a esclarecer, conforme o Ranking de Competitividade 2026, indicam que os próprios dados produzidos pelo Estado precisam de maior auditabilidade. Isso não significa que houve manipulação, mas reforça a necessidade de transparência maior para que a sociedade possa avaliar os resultados com precisão.

O Entorno cresceu rápido e os serviços públicos não acompanharam o ritmo. A população que trabalha em Brasília e reside em Novo Gama, Cidade Ocidental ou Águas Lindas precisa de um plano estadual específico, com metas numéricas, prazos definidos e dados publicados periodicamente. Sem isso, o slogan de segurança pública continua a ignorar a aritmética da divisa.

Em setembro de 2026, ano eleitoral, a cobrança por resultados verificáveis no Entorno torna-se ainda mais urgente. O governador e os candidatos precisam apresentar um programa detalhado para reduzir as taxas de homicídios nessas cidades até patamares próximos aos do Distrito Federal, com acompanhamento independente e divulgação clara dos indicadores. Apenas assim o discurso de segurança poderá corresponder à realidade vivida por quem cruza a divisa todos os dias.

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