segunda-feira , 8 junho 2026
BrasíliaPolítica

Deputado aciona o TCU para investigar benefícios para aumentar salários de militares antes de entrarem na reserva

118

O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) acionou o Tribunal de Contas da União para que seja investigada a concessão de adicional de habilitação a militares ligados ao alto comando da Marinha e da Aeronáutica que logo depois entraram para a reserva. O aumento de salário pode chegar a 73% em alguns casos. A medida foi tomada depois que o parlamentar investigou a liberação do benefício e também com base nas respostas a requerimentos encaminhados ao Ministério da Defesa. “O governo Bolsonaro retirou direitos dos trabalhadores, inclusive de servidores públicos, com a Reforma da Previdência. Ao mesmo tempo, oferece privilégios frequentes a um grupo de militares. A nossa preocupação é que o presidente esteja usando essas benesses como forma de cooptar as Forças Armadas para colocar em prática as ameaças constantes que vem fazendo à democracia”, afirma o deputado.

Elias Vaz identificou dois problemas principais: o grande volume de militares de alta patente da Marinha atendidos e, no caso da Aeronáutica, um número total de adicionais concedidos maior que o quadro de pessoal. “Nós recebemos denúncias de dentro do comando da Marinha informando essa prática. Constatamos que o adicional de habilitação se tornou uma ferramenta para elevar a remuneração de oficiais e suboficiais antes que sejam transferidos para a reserva. É uma situação absurda! O governo paga com dinheiro público os cursos para esses militares, sob o pretexto de que o aperfeiçoamento técnico- profissional trará benefícios à União. Acontece que logo depois eles se tornam inativos, ou seja, o país não usufrui desses conhecimentos e os militares recebem salários muito mais altos. O dinheiro público está bancando o curso e a promoção”, afirma o deputado.

O adicional de habilitação é dividido em cinco categorias e os valores chegaram a dobrar no governo Bolsonaro, depois da aprovação da Lei n° 13.954, de 16 de dezembro de 2019, a polêmica Reforma da Previdência dos militares. Os maiores índices são pagos a quem conclui o curso de “altos estudos”. Na categoria 1, o valor hoje é de 66% do salário e será reajustado para 73% a partir de julho de 2023. Na categoria 2, o índice é de 61% atualmente e vai chegar a 68% em julho do ano que vem.

Marinha
Por meio do ofício n° 23024/GM-MD, em resposta ao RIC 441/2022, o Ministério da Defesa informou que 4.349 oficiais e suboficiais da Marinha concluíram o curso de Assessoria em Estado-Maior para Suboficiais (C-ASEMSO) nos anos de 2019, 2020, 2021 e 2022. Desses, 1.932 oficiais e suboficiais já estão na reserva e outros 178 estão em processo de transição, portanto somando 2.110, o que corresponde a 48% do total de militares transferidos para a reserva neste governo.

No ofício 23643/GM-MD, em resposta a outro requerimento, o RIC 442/2022, o Ministério da Defesa informou que o curso não é acessível a todos os militares, mas apenas aos que foram selecionados por seus comandos. O documento diz o seguinte: “destaca-se, no caso específico das Forças Armadas, que a importância do Adicional de Habilitação valoriza a meritocracia duas vezes. Isso porque, antes de fazer um curso, o militar tem que possuir requisitos individuais. Ou seja, primeiro o militar tem que conquistar, por seus próprios meios, o direito de fazer o curso. E depois, lograr êxito no curso para receber o Adicional de Habilitação”.

O deputado Elias Vaz salienta que, na prática, “há uma espécie de avaliação e os comandantes têm o poder de dizer qual militar tem o direito de fazer o curso, ou seja, não é aberto a todos, portanto, não se trata de meritocracia”.

Aeronáutica
O ofício 23643/GM-MD também apresentou números discrepantes sobre o pagamento de adicional de habilitação na gestão de Bolsonaro. Segundo dados oficiais, do próprio Ministério da Defesa, a Aeronáutica concedeu 178.025 benefícios de 2019 até agora. No entanto, segundo informações do Portal da Transparência, esse número é maior que o quadro de pessoal da Aeronáutica: 67.947 militares ativos, 40.578 inativos e 40.443 pensionistas.

“Há um excedente de 29.057 adicionais. Como isso se explica? Os indícios de irregularidade são graves e precisam ser investigados, tanto no que diz respeito a essa quantidade excessiva de benefícios quanto no desvirtuamento da política de aperfeiçoamento técnico dos militares”, conclui Elias Vaz.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Ginásio esportivo reinaugurado em Samambaia, DF, após reforma de R$ 1,2 milhão, com fachada moderna e quadra visível.
Distrito FederalEsportesPolítica

Ginásio de Samambaia é reinaugurado após reforma de R$ 1,2 milhão no DF

Na última quinta-feira, 23 de abril de 2026, o Ginásio de Esportes...

Ginásio poliesportivo reformado em Samambaia, DF, com investimento de R$ 1,2 milhão.
Distrito FederalEsportesPolítica

Celina Leão reinaugura ginásio reformado em Samambaia com investimento de R$ 1,2 milhão

A governadora Celina Leão reinaugurou o Ginásio de Esportes de Samambaia, no...

Mesa com decreto e contratos no escritório governamental do DF, representando contenção de gastos e revisão de contratos pela governadora Celina Leão.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Governadora Celina Leão assina decreto para conter gastos e revisar contratos no DF

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, assinou o Decreto nº 48.509/2026,...

Escola pública em Brasília com portões fechados e faixas de greve, representando paralisação de professores no DF.
Distrito FederalEducaçãoPolítica

Professores do DF paralisam por pagamento integral da jornada de trabalho

Professores da rede pública do Distrito Federal realizaram uma paralisação na quinta-feira,...