sexta-feira , 4 abril 2025
BrasilNotícia

Congelamento do ICMS dos combustíveis vai confrontar discurso de Bolsonaro

33
Posto de combustível
Posto de combustível

O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, aprovou, por unanimidade, o congelamento do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas vendas de combustíveis por 90 dias. A medida foi vista como uma estratégia dos governadores contra o discurso do presidente Jair Bolsonaro de que a culpa dos constantes aumentos do preço dos combustíveis é dos estados e, também, uma resposta ao projeto aprovado pela Câmara que muda a base de cálculo do imposto sobre a gasolina e o diesel. A discussão é predominantemente política. Para o consumidor final, pouca coisa deve mudar, segundo especialistas.
Segundo o Confaz, a base de cálculo sobre a qual incidem as alíquotas do ICMS, que variam de 15% a 27%, ficará inalterada do próximo dia 1º de novembro a 31 de janeiro de 2022. Atualmente, essa base é ajustada a cada 15 dias, conforme a média dos preços dos combustíveis no mercado.
O advogado Hugo Schneider Côgo, sócio do SGMP Advogados, afirma que a decisão não impedirá o aumento dos preços na bomba nesse período. “O valor que o consumidor final paga é o resultado de diversas variáveis na cadeia de comercialização. Esse congelamento parece ser uma reação dos estados à tramitação do Projeto de Lei Complementar nº 11/2020, que recentemente foi aprovado pela Câmara dos Deputados e agora segue para o Senado. O projeto altera a tributação do ICMS dos combustíveis com a instituição de um valor fixo de imposto por volume do produto, e os estados receiam perder receita”, esclareceu.
Charles Alcântara, presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), considerou a decisão do Confaz “positiva, engenhosa e oportuna para desmascarar o governo federal e a política de preços da Petrobras”. Ele explicou que, com o congelamento da base de cálculo do ICMS, “os estados vão arrecadar menos, mas, se o dólar se valorizar ante o real, e se o preço internacional do barril do petróleo subir, gasolina, diesel e gás de cozinha vão continuar a escalada de alta”. Ou seja, o impacto no bolso do consumidor não será totalmente desfeito, porque quando chegam às bombas, os combustíveis já estão calculados pela média ponderada.
“Se o combustível custa R$ 100, por exemplo, e a alíquota do ICMS é de 25%, um Estado arrecadaria R$ 25. Antes, se o combustível passasse para R$ 110, a arrecadação subiria para R$ 25,25. Mas como a base de cálculo permanecerá fixa, continuarão entrando nos cofres estaduais os mesmos R$ 25. Nesse caso, os estados renunciam aos R$ 0,25”, explicou Alcântara.
Para ele, o que deve ser feito é uma mudança na política de preços da Petrobras (de vinculação dos valores do mercado internos às cotações internacionais), “que somente enriquece os acionistas, na maioria estrangeiros”. O especialista em direito tributário Morvan Meirelles, do escritório Meirelles Costa Advogados, reforça que, a depender do estado, a alíquota do ICMS pode variar de 15% a 27%.
De acordo com Meirelles, provavelmente nem estados nem consumidores vão perceber os efeitos da medida do Confaz. “O bizarro é que, ainda que haja o congelamento, não haverá perdas ou ganhos. É uma guerra de narrativa que não corrige o problema”, afirmou.
O tributarista Hugo Funaro, sócio do Dias de Souza Advogados, disse que a saída encontrada pelo Confaz é mais adequada do que a proposta da Câmara, que exigia a antecipação do tributo, com base no recolhimento dos dois últimos anos. “A decisão do Confaz foi inteligente. Os governadores estão mostrando quem manda no ICMS. São eles, não o Congresso”, assinalou.
Segundo o economista Benito Salomão, mestre em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia, a medida busca sinalizar aos consumidores que eventuais aumentos de preço dos combustíveis, no futuro, não estarão relacionados ao ICMS. “Criou-se uma narrativa de que a gasolina é cara porque o ICMS é alto, mas isso de certa forma encurralou os governadores, porque gasolina, diesel e álcool tem subido no Brasil inteiro. Isso tem deixado os consumidores muito nervosos e politicamente insatisfeitos”, afirmou. (fonte:www.correiobraziliense.com.br)

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Brasil

#BotaPraAndar prioriza início de obras do Minha Casa, Minha Vida em primeira rodada de 2025

As reuniões virtuais contemplaram empreendimentos em estado mais avançado nas cidades de...

Brasil

Brasil precisa de R$ 99,76 bilhões para recuperar e manter suas rodovias

O investimento necessário para a reconstrução, restauração e manutenção do pavimento rodoviário...

Notícia

Governo sanciona crédito especial de R$ 273 milhões para o Judiciário e CNJ

Foi sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a...

Brasil

Garimpo ilegal: PL que tramita no Senado pode combater atividade

O Senado Federal analisa no momento um projeto de lei (PL 3.776/2024)...